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sábado, 28 de novembro de 2015

Perigos da vacina do HPV - Meninas menopáusicas aos 20 anos


A endocrinóloga Carme Valls Llobet é investigadora de enfermidades da mulher no Centro de Análises e Programas Sanitários de Barcelona e dirigiu um seminário em Bogotá, interveio na polémica sobre a aplicação da vacina contra o vírus do papiloma humano e confirma que há perigo de efeitos secundários graves, por exemplo, no sistema nervoso central. A vacina é distribuída na Colômbia a meninas entre os 9 e os 17 anos.

Qual é a sua opinião sobre uma vacina cujo uso se generalizou em meninas e jovens da Colômbia e de outros países: a que eliminaria o risco de contrair o vírus do papiloma humano, VPH (infeção de transmissão sexual causante do cancro do colo do útero)?
Trabalho numa organização científica sem fins lucrativos que se chama Centro de Análises e Programas Sanitários (CAPS), em Barcelona. Quando saiu a vacina, a nossa primeira dúvida no Centro foi se havia evidencia científica de que curava o cancro de cérvix para justificar um investimento de 400 euros por dose, por cada menina de cada povoação. A resposta até ao momento é que ninguém demonstrou que isso seja certo. Porém, esta vacina está a ser aplicada em muitas partes do mundo faz 6 ou 7 anos. Depois surgiu um segundo problema: o cancro de cérvix (colo do útero) não produz anticorpos no sangue como os que geram as enfermidades contagiosas. O vírus do papiloma é de pele, por isso, não gera anticorpos e para se fazer uma vacina contra esse vírus, tinham que lhe pôr um elemento que fizesse com que o corpo os fabricasse.

Em que consiste o problema?
 O problema foi que fizeram a vacina com alumínio para criar anticorpos mas este elemento produz efeitos secundários Quais efeitos? Segundo a quem se a apliquem e dependendo do seu sistema imunológico, podem-se gerar enfermidades autoimunes. Ninguém advertiu que teria que se fazer uma análise prévia da menina que ia levar a vacina. Como sabemos que nem todo o mundo tem as mesmas condições, tem havido efeitos adversos em algumas jovens. Por exemplo, o síndrome de Guillain-Barré que paralisa o corpo. As reações alérgicas seriam passageiras mas se se desenvolve uma enfermidade autoimune severa, o sistema nervoso central pode ser afetado. E isso sim é grave.

Há casos em que hajam ocorrido problemas delicados de saúde por causa da vacina?
Em Espanha conhecemos casos de meninas que tiveram convulsões e epilepsia e que entraram em coma depois da sua aplicação. Qualquer médico sabe que uma vacina pode produzir encefalite e mortalidade numa probabilidade baixa, um caso em cada milhão de habitantes, mas a vacina do VPH está a dar mais problemas que as demais, sobre tudo após a aplicação da segunda dose.

Quando se toma uma decisão de política pública em saúde sobre vacinas, como ocorreu com esta do VPH na Colômbia, não é fácil deixar para atrás a medida porque o investimento económico é grandioso.

É certo, o problema é que como é tão cara e como dá-la fez parte da política de saúde pública, agora ninguém sabe como retira-la. Multiplique 400 euros por menina de 10 anos em todas as povoações e some que se distribui gratuitamente, a um custo enorme para os Estados que investiram nela.

É verdade que, não obstante o problema económico, vários países estão a pensar retirar a vacina?
Em janeiro deste ano, o Japão organizou um congresso sobre o tema com especialistas mundiais que estão a investigar a raiz de que no Canadá houveram três mortes. A investigação sobre estes casos concluiu que o complexo alumínio - vacina produz encefalite. Depois houveram casos de meninas que ficaram com insuficiência ovárica posterior á aplicação da vacina, o mesmo é dizer que ficaram menopáusicas aos 20 anos. Em Espanha há dois casos. Nos Estados Unidos há um grupo especializado que tem recopiladas as mortes por efeitos secundários da vacina do VPH.

Deixaram de aplicar a vacina nestes países?
Sim. O Japão decidiu não vacinar, não recomendar a vacina e não paga-la. A India, onde houveram problemas de mortalidade desde o ano 2010, optou por não paga-la e por rever a sua política a respeito. E França, que fez um congresso recente no Senado, afirmou que não se devia pagar com dinheiro público e que não a recomendaria. Esta discussão interna está em todos os serviços de sanidade do mundo. Somando que na Alemanha, o mesmo professor que recomendou a vacina do VPH ao principio, agora está a afirmar que não deve ser aplicada, também por outra razão científica: a vacina só cobre duas cepas das que produzem cancro de cérvix e há 17 cepas que a podem provocar.

É o mesmo que dizer, tão pouco é eficiente para evitar o cancro de cérvix?
É eficiente para as duas cepas porque é capaz de produzir uma imunidade muito alta mas não sucede o mesmo com as 15 restantes. Por isso, não pode assegurar que não haverá nenhum tipo de cancro de cérvix.

Em conclusão, você recomendaria a não aplicação da vacina?
Isso é o que recomendamos ainda que saibamos que não se pode baixar a guarda para prevenir o cancro de cérvix. A única maneira científica eficaz para a prevenção, de momento, é a das citologias vaginais; e com o dinheiro que se gasta na vacina, seria muito melhor que se fortalecessem os programas que as incentivam para que as mulheres as façam periodicamente.

Vacinar contra o vírus do papiloma humano poderia inocular o cancro?
Não. O cancro não funciona assim. Mas insisto que os efeitos secundários sobre o sistema neurológico, são delicados.

Esses efeitos produzem-se de maneira imediata ou muito tempo depois da aplicação da vacina?
Pelo que temos visto, de um mês a seis meses depois. Em consequência disso, o acompanhamento das meninas deve realizar-se no decorrer desse período. Também sabemos, como lhe disse, que se apresentam muitos efeitos decorrentes da segunda dose. Agora, há que advertir que nem todas as jovens vacinadas produzem efeitos secundários. Não há que assustar as pessoas mas sim preveni-las. Adicionalmente, às jovens que asseguram que apresentaram efeitos secundários, têm que ser examinadas e averiguar-se se têm relação com a vacina.

Você é especialista em medicina interna e endocrinologia. Porquê se dedicou a estudar somente enfermidades de mulheres?
Porque quando comecei a trabalhar em assistência sanitária, dei-me conta de que havia maior frequência de algumas enfermidades em mulheres que em homens como diabetes e enfermidades tiróideas, e nas consultas, as mulheres queixavam-se permanentemente de dor e cansaço. Isso não sucedia com os pacientes homens. Por isso, interessei-me em analisar como e porquê tinham ocorrência.

Porque as mulheres se queixam de cansaço e dor com maior frequência que os homens?
Porque há uma diferença essencial na vida biológica de homens e mulheres: a aparição da menstruação a partir dos 10 ou 11 anos. A perda de sangue cada mês favorece a anemia e a carência de ferro. A anemia evita-se se se comer bem mas a falta de ferro está a aparecer em 75% das mulheres em idade reprodutiva. É uma percentagem muito alta. Essa condição explica parte do cansaço. E há outros problemas que podem apresentar-se de maneira predominante no corpo feminino: as enfermidades autoimunes.

O que significa o termo “autoimune”?
Quer dizer células do corpo que atacam o próprio corpo. A mulher tem muitas defesas contra as infeções. Isto é boa noticia. Mas, às vezes, o corpo erra o passo, por exemplo, quando algumas células atacam a tiróide e produzem a tiroidite autoimune; ou atacam alguma articulação e conduzem ao desenvolvimento da artrite. Este tipo de enfermidades também gera cansaço. As enfermidades autoimunes são predominantemente femininas, de tal magnitude que a proporção é de 50 mulheres para 1 homem que as padece.

A carencia de ferro Que danos biológicos produz?
Queda de cabelo, unhas quebradiças e abertas em capas, sensação de frio nas mãos e pés, perda de memória e capacidade de concentração, cabeça zonza, dificuldade em subir ou respirar quando se tem que fazer um esforço físico importante.

Não se tem analisado suficientemente os efeitos do período menstrual na saúde geral das mulheres?
Este tema tem sido tabu não só na vida social senão também na medicina. Não se podia falar de menstruação porque era inapropriado. Havia, ademais, muitas crenças culturais sobre esses dias: as mulheres no período menstrual ‘atacavam’ as colheitas, ‘alteravam’ o vinho, estragavam os molhos se os tocavam ou olhavam. Esses prejuízos não são tão exóticos. A reação social a este mecanismo natural do que depende a vida futura dos seres humanos, é a de ‘castigar’ a quem tem menstruação de tal forma que na mente de muitas mulheres produz-se uma carga psicológica que aumenta o seu stress social e pessoal. Some os problemas ambientais, e com isso refiro-me ao fato de que na época atual há maior presença de hormonas e disrruptores endocrinos na água, no ar e nos alimentos.

Com quais efeitos no corpo feminino?
As mulheres desenvolvem menstruações mais abundantes e prolongadas por excesso de estrogénios. Por esta razão também está a aumentar a incidência da anemia e de cancro de mama. Este transtorno vai condicionar mudanças importantes que deveríamos cuidar para poder dar diagnósticos corretos e que a solução não se limitara a recomendar o uso de anticonceptivos ou de terapia hormonal porque aumentam os riscos. Existe agora uma forte tendência a ‘medicalisar’ a vida das mulheres e poucos parecemos preocupados com as consequências.

Você menciona a forma pejorativa em que se trata o tema da menstruação. Uma muito comum é a de crer e incluindo dizer que quando uma mulher se chateia por algum incidente, é porque “está com a regra” Esse prejuízo corresponde a uma condição biológica real?

Realmente, dias antes da menstruação, algumas mulheres sofrem da síndrome pré-menstrual porque têm uma dissociação das hormonas, ou seja, uma alteração endócrina. Então pode produzir-se mau humor, ansiedade e uma sensação de inquietação. A síndrome pré-menstrual é um problema neuro-endócrino que tem tratamento equilibrando o ciclo.

Para você é bom ou mau tomar anticonceptivos?
Há vezes que é necessário tomá-los mas não mais de cinco anos.tem-se começado a ver correlações entre o uso de anticonceptivos e a aparição precoce do cancro de mama, antes da menopausa. Temos umas meta-análises (comparação de várias análises) da clínica Mayo com 34 estudos que verificam estas tendências. Os anticonceptivos serviram num momento determinado com fins de planeamento familiar mas com o que sabemos hoje sobre os seus efeitos por um lado, e por outro, sobre a quantidade de enfermidades de transmissão sexual que existe, recomendamos a utilização do preservativo. Se se trata de evitar uma gravidez, não temos por agora outras técnicas que pôr uma barreira.

Existem outros efeitos pelo uso de anticonceptivos?
Quem os toma diariamente tem poucas vitaminas no corpo porque os anticonceptivos não permitem que o intestino absorva bem as que vêm nos alimentos. Às vezes, alteram a função tiróidea e favorecem as enfermidades autoimunes e, é bom insistir em que como produzem efeito de hiper-estrogenismo, sempre acabam tendo uma certa relação com o cancro de mama.

A terapia de substituição hormonal, tem os mesmos efeitos que os anticonceptivos e também incide na aparição do cancro?
Sim. Um estudo muito famoso realizado nos Estados Unidos nos anos 90, Women Health Initiative, que se fez com 100.000 mulheres, comparou as que tomavam terapia hormonal em doses altas com outras que tomavam cálcio e com outras que só cantavam, dançavam e faziam exercício. Depois de uns anos verificou-se que o grupo mais afetado pelo cancro de mama era o da terapia hormonal. Isto motivou a que os Estados Unidos deixara de formular 60 milhões de prescrições anuais e passara a 20. Como resultado, pela primeira vez na história diminuiu a incidência do cancro de mama. A conclusão foi que havia uma relação direta entre a terapia hormonal e a aparição da enfermidade.

E o que podem fazer, então, as pessoas que necessitam da terapia hormonal não só pela idade senão por cirurgias do aparelho reprodutor?
As pessoas que tenham sido operadas por alguma enfermidade e a quem se lhes tenha extraído precocemente os ovários, podem tomar terapia durante um tempo até se equilibrarem. O problema surge quando se pensa que as hormonas vão resolver tudo. E, em contrapartida, descuida-se do estudo de outras carências na etapa da menopausa, por exemplo, as metabólicas, a falta de vitamina D e a falta de cálcio que condicionam a vida dos osos muito mais que a terapia hormonal.

Nunca se deveria fazer terapia de substituição hormonal?
Em doses muito baixas podia-se permitir quando os afrontamentos (produzidos pela menopausa) são muito intensos.

Para evitar o cancro de mama e outros efeitos provocados pelos anticonceptivos ou pela terapia hormonal, serve suspender a sua toma durante uns meses para voltar a toma-los depois ou este passo é inútil?
O meio ambiente está cheio de produtos como os hidrocarbonatos derivados dos veículos que limitam o efeito dos estrógenos no corpo; a maioria dos inseticidas dão o mesmo resultado e outros tantos produtos. Por essa razão, cada dia há maior esterilidade masculina e feminina nas sociedades industrializadas. Nos homens diminui o número de espermatozóides com o qual aumentamos a esterilidade masculina e feminina. Na Europa os espermatozóides por pessoa diminuíram, nos últimos 26 anos, de 80 milhões por c.c. para 40 com formas não móveis. Se a estas incidências do meio ambiente, lhe sumamos que a mulher tem de tomar hormonas toda a sua vida: de jovem, os anticonceptivos e, em mais velha, a terapia de substituição pela menopausa, estamos a aumentar novos riscos á sua vida.

A mulher moderna trabalha fora e também á noite, ao chegar a casa. Este papel duplo, intervém na sua saúde?
Claro: enfermidades que produzem stress físico e mental. As hormonas e as glândulas supra-renais ‘levantam-se’ com o sol e ‘vão dormir’ quando escurece. Se de noite, as mulheres realizam outra jornada, as hormonas e as glândulas continuam trabalhando. Isto produz alterações no sono, sensação de ansiedade, taquicardia porque não se dorme bem e dor muscular, especialmente nas costas e pescoço. Também se apresenta colon irritável pelo fato de que se produz mais adrenalina. Comprovou-se que quando os homens têm que fazer a jornada dupla, padecem das mesmas patologias.

Muitas meninas jovens tomam hoje a opção da comida vegetariana Este tipo de alimentação produz mais enfermidades ou menos?
A alimentação vegetariana se se faz bem equilibrada e sem se comer unicamente massa, produz um fenómeno que tem sido muito bem estudado pela famosa endocrinóloga Jerilynn Prior em Vancouver, Canadá. Curiosamente, ela verificou que as vegetarianas sangram um pouco menos nas menstruações, assim não necessitam de tanta proteína. Se está bem balanceada, se comem frutos secos que compensam as proteínas, frutas vegetais etc., não é prejudicial para a saúde. Mas há que ter em conta que a alimentação vegetariana pura sempre tem carência de vitamina B12 que tem 4 aminoácidos essenciais. Então, os vegetarianos puros devem tomar suplementos para obter a vitamina B12, necessária para prevenir anemias.

Há suplementos vitamínicos para substituir certas comidas?
Essa é uma moda comercial. Muitas pessoas compram sacos cheios de suplementos vitamínicos em comprimidos, tomam-nos mas carecem, por exemplo, de zinc, de vitamina D e de outras. Seria melhor comer bem e equilibradamente.

Qual é a melhor fonte natural de vitaminas?
As frutas e as verduras. Um estudo recente demonstrou que quem come fruta e verdura constitui o grupo com menor mortalidade e menor morbilidade avançada.

Efeitos secundários da vacina?
Segundo a Liga Colombiana contra o Cancro, seis mulheres morrem diariamente no país por cancro do colo do útero, provocado pelo vírus do papiloma humano, uma enfermidade de transmissão sexual. Significa que cerca de 300 mil pessoas falecem ao ano por esse tipo de cancro, segunda causa de perdas de vidas femininas depois do cancro de mama. No Congresso da República tramitaram-se vários projetos para que o Estado distribuíra gratuitamente e incentivara a aplicação de uma vacina que se vem usando no mundo em anos recentes, e que seria útil para evitar contrair o mal. O ano passado, finalmente aprovou-se a lei e desde então têm havido jornadas massivas em toda a nação para que meninas dos 9 anos em diante e adolescentes até aos 17, 18 anos, levem duas doses da vacina. Mas, simultaneamente, vem crescendo uma polémica sobre os efeitos secundários que produzia a vacina, sobre tudo na sua segunda dose. Atacaria, no pior dos casos, o sistema nervoso central com enfermidades como a Guillian-Barré, que paralisa o corpo. A semana passada vários pais de família do município de Carmen da Bolívar (Bol.) protestaram porque depois da aplicação da vacina, algumas meninas tiveram desmaios e tiveram outros sintomas adversos.

Cuidado com cosméticos com parabeno
A doutora Carme Valls Llobet é especialista em medicina interna e endocrinologia e leva vários anos investigando porquê há maior frequência de ocorrência de certas enfermidades nas mulheres que nos homens.

É certo que os cosméticos podem ser perigosos para a saúde das mulheres?
Sim. Alguns cosméticos que as mulheres usam contêm uma substancia que se chama parabeno. Esse químico limita o efeito do estrógeno com o qual se incrementa o risco de contrair cancro de mama. Paradoxalmente, o cancro de mama tem maior incidência na classe mais alta ou de maior poder aquisitivo porque pode comprar mais produtos prejudiciais.

Para quê se usa o parabeno?
Para que um creme espesse, não fique com consistência aquosa. Uma investigadora do Reino Unido, estudando como haviam sido afetados os gânglios da axila das mulheres que tinham cancro de mama, verificou que usavam cremes hidratantes corporais. Examinou-as e encontrou o componente que resultou cancerígeno. Agora há uma controvérsia internacional porque aos laboratórios de cosméticos custa-lhes muito mudar as suas estratégias comerciais. Por isso recomendamos a quem tenha familiares diretos que tenham padecido de cancro de mama, que não usem este tipo de produtos.

“No Canadá houveram três mortes. A investigação sobre estes casos concluiu que o complexo alumínio - vacina produziu encefalite”

“O problema é que é cara e como tem sido uma política de saúde pública dá-la, agora ninguém sabe como retira-la”

Por: Cecilia Orozco Tascón

Fonte: http://www.elespectador.com/noticias/salud/ninas-menopausicas-los-20-anos-articulo-504032



quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Estudo sugere que adoçantes artificiais terão contribuído para epidemia mundial de obesidade


Milhões de pessoas no mundo deixaram de pôr açúcar no café e passaram a consumir, por razões de saúde, aspartame, sacarina ou outros adoçantes artificiais. A indústria alimentar utiliza-os para reduzir as calorias dos seus produtos. Porém, eles nem sempre são eficazes para perder peso – um enigma ainda por resolver. E apesar de um sem fim de estudos terem sido realizados desde a sua introdução na nossa dieta há mais de um século, os seus eventuais benefícios ou perigos continuam por avaliar.

Agora, uma equipa de investigadores em Israel descobriu um efeito tangível dos adoçantes sobre a nossa fisiologia. Mais precisamente, que o consumo de adoçantes é capaz, tanto no ratinho como no ser humano, de provocar desequilíbrios da flora intestinal – os milhões de milhões de bactérias que vivem no nosso intestino e nos ajudam a digerir os alimentos. E que, por sua vez, esses desequilíbrios podem fazer aumentar perigosamente os níveis de açúcar no sangue – ou seja, precisamente o que se pretendia evitar ao substituir o açúcar natural por adoçantes. 

Apesar de serem muito preliminares, os seus resultados, que foram publicados esta quarta-feira na revista Nature, levam estes autores a concluir que “a utilização em massa destes aditivos alimentares deve ser reavaliada” e que "os adoçantes poderão ter contribuído directamente para exacerbar precisamente a epidemia [de obesidade] que se destinavam a combater".
O corpo humano é feito de milhões de milhões de células, mas o número de microrganismos a viver nele, principalmente bactérias – a "flora", por oposição à "fauna" das nossas próprias células – é dez vezes maior e estima-se que contenha milhares de espécies diferentes. A importância para a nossa saúde deste "jardim botânico" interno, deste "órgão" invisível que pesa cerca de dois quilos (mais do que o nosso cérebro!) e que vive sobretudo nos intestinos, começa apenas a emergir.

Eran Elinav, do Instituto Weizmann de Ciência (Israel) e colegas começaram por descobrir que, embora os adoçantes artificiais não contivessem açúcar, eles tinham, mesmo assim, um efeito directo sobre a capacidade de o organismo utilizar a glucose, explica aquela instituição em comunicado. Ora, a incapacidade de lidar com a glucose é o primeiro passo a caminho de doenças metabólicas como a diabetes.
Mais precisamente, administraram a diversos grupos de ratinhos água com diversas doses não tóxicas de três dos adoçantes mais comuns: aspartame, sacarina e sucralose; e por outro lado, a outros ratinhos, água pura e água com açúcar. E constataram que os ratinhos que consumiam adoçantes desenvolviam uma “intolerância à glucose” (níveis elevados de glucose no sangue), mas não os outros.
A seguir, quiseram saber se a flora intestinal dos animais estaria envolvida neste fenómeno, especulando que aquelas bactérias poderiam estar a reagir de maneira imprevista a essas substâncias artificiais que são os adoçantes. E de facto, quando submeteram ratinhos a um tratamento com antibióticos destinado a erradicar a sua flora, cancelaram o efeito dos adoçantes sobre o metabolismo da glucose. Mais: quando transplantaram flora intestinal de ratinhos que consumiam sacarina para ratinhos desprovidos de qualquer bactéria própria – e que nunca tinham consumido adoçantes – esses ratinhos também desenvolveram uma intolerância à glucose. "Uma prova conclusiva de que as alterações das bactérias intestinais são directamente responsáveis pelos efeitos prejudiciais [dos adoçantes] sobre o metabolismo do hospedeiro", lê-se no mesmo comunicado.
Por último, a análise das bactérias intestinais de animais que consumiam sacarina revelou uma profunda alteração dessa flora, tanto do ponto de vista da sua composição como das suas funções. E, em particular, da sua capacidade de metabolizar os hidratos de carbono contidos na alimentação – que se sabe estar associada a uma propensão para a obesidade e a diabetes.

Desiguais perante os adoçantes

A questão seguinte foi a de saber se o mesmo aconteceria nos seres humanos. Primeiro, os cientistas analisaram dados nutricionais relativos a cerca de 400 pessoas e descobriram uma relação entre o consumo de adoçantes, o perfil individual da flora intestinal e a propensão para ter níveis de glucose elevados no sangue. E depois, fizeram uma pequena experiência, em que sete voluntários que em geral não consumiam adoçantes nem comida artificialmente edulcorada passaram a fazê-lo durante uma semana, enquanto os cientistas monitorizavam os seus níveis de glucose e a composição da sua flora intestinal. “Passados apenas quatro dias, metade dessas pessoas apresentava níveis elevados de glucose no sangue e perturbações da tolerância à glucose”, comentam dois especialistas norte-americanos num artigo na mesma edição da Nature.


Fonte : Publico


segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Cinco mitos de saúde que devem ser ignorados

LEMAS DA VIDA SAUDÁVEL
Fórmulas mágicas de saúde são repassadas sem que
haja questionamento sobre suas evidências científicas 

Cinco mitos de saúde que devem ser ignorados

Descubra cinco mitos de saúde que apesar de seguidos à risca não têm qualquer embasamento científico

3 de novembro, 2013

Médicos, revistas de saúde e amigos sempre têm na ponta da língua receitas para uma vida longa e saudável. O problema é que essas fórmulas mágicas são repassadas sem que haja questionamento sobre suas evidências científicas. Muitas vezes, tais dicas não passam de mitos, que de tão repetidos acabam ganhando adeptos. Confira abaixo cinco mitos que não influenciam na vida saudável.
Beber dois litros de água por dia
Recomendada há décadas por médicos, essa prática não tem embasamento científico. Especula-se que tenha sido criada pelo setor de água engarrafada, mas o mais provável é que ela tenha sido difundida em 1945, quando Conselho Nacional de Pesquisa dos EUA recomendou que adultos deveriam ingerir um mililitro de água para cada caloria consumida. Em uma dieta de 2 mil calorias diárias, essa recomendação se aproxima de dois litros por dia.
Contudo, as pessoas costumam ignorar o fato de que todos os alimentos que ingerimos contêm água em sua composição. Líquidos, como chá e sucos também. Logo, a não ser em ocasiões de calor, quando se transpira muito, ingerir um litro de água por dia, apenas quando sentir sede, é o suficiente.
Açúcar deixa crianças hiperativas
É difícil de acreditar, mas o açúcar não deixa crianças hiperativas. Foi o que provou uma análise feita com base em 12 estudos de 1996, em que os voluntários não sabiam quais crianças tinham consumido açúcar e quais tinham ingerido placebo.
Um dos estudos analisados concluiu que o efeito causado pelo açúcar está na cabeça dos pais. Neste estudo, pais e crianças “sensíveis ao açúcar” foram separados em dois grupos. Em um deles, os pais foram informados que suas crianças haviam ingerido uma grande quantidade de açúcar, ao outro grupo de pais foi dito que as crianças ingeriram placebo. Ao observar seus filhos, os pais do primeiro grupo imediatamente disseram que eles estavam hiperativos. O que eles não sabiam é que as crianças de ambos os grupos haviam ingerido placebo.
Algumas pesquisas revelam que o açúcar afeta o cérebro das crianças de forma positiva. Um estudo feito pelo psicólogo inglês David Benton revelou que 30 minutos após consumir açúcar, as crianças se mostram mais concentradas em suas tarefas.
Pílulas antioxidantes fazem viver mais
Ao metabolizar os alimentos ingeridos, as células produzem os chamados radicais livres, associados a várias doenças degenerativas. Porém, o nosso corpo produz substâncias que atuam como antioxidantes, expulsando os radicais livres de nosso organismo.
Pensando nisso, na década de 1970, o ganhador do prêmio Nobel de química, Linus Pauling, começou a incentivar o uso de pílulas antioxidantes antes mesmo dos benefícios serem comprovados.
Na década de 1990 começaram a surgir os resultados dos estudos feitos com tais substâncias. As evidências comprovaram que as pílulas apresentam uma ação antioxidante nos tubos de ensaio, mas não produzem qualquer benefício ao nosso organismo.
Alguns quilinhos a mais significam menos anos de vida
A obesidade é nociva, mas alguns quilinhos extra não. Muito pelo contrário. De acordo com um estudo recente, feito pelo Centro de Controle de Doenças dos EUA, ter uns quilos de reserva pode ajudar o corpo a combater infecções. Ou seja, algumas dobrinhas não representam sentença de morte.
Podemos e devemos desintoxicar nosso organismo
O mundo está rodeado de substâncias tóxicas. Elas estão presentes até mesmo nos alimentos. O organismo conta com a ajuda dos rins e do fígado para desintoxicar o corpo. Porém, algumas substâncias levam anos até ser completamente eliminadas.
Os programas de desintoxicação do organismo orientam a consumir apenas líquidos durante um determinado período. Alimentos sólidos estão proibidos. Mas isso não faz qualquer diferença em relação às substâncias que se acumularam ao longo dos anos. “Leva de seis a dez anos de exposição zero para reduzir pela metade o acúmulo dessas substâncias em nossos tecidos de gordura”, diz Andreas Kortenkamp, toxicologista da Brunel University em Londres. A pior parte é que ao fazer dieta o organismo libera substâncias tóxicas na corrente sanguínea. Esse fluxo repentino pode causar sérios problemas.


 Dama da Noite - Blog

segunda-feira, 16 de julho de 2012

O lado negro do Chá

"A maioria das pessoas pensa que um chazinho nunca faz mal. Mas nem sempre é assim”.
Quem o diz é Cristina Fonseca, médica gastroenterologista do Hospital Garcia de Orta, em Almada.

A especialista dá alguns exemplos: “Camomila e alcaçuz não devem ser tomados por grávidas. E até o chá verde, sobretudo se consumido em cápsulas, pode provocar hepatites”, explicou no simpósio Semana Digestiva 2012, que decorreu entre 27 e 30 de Junho, no Porto.

A médica defende que as plantas devem ser encaradas como medicamentos e muitas vezes são vendidas em ervanárias e lojas de produtos naturais sem o controlo adequado.
“Muitos dos remédios vendidos nas farmácias são substâncias extraídas de plantas, controlados pelo Infarmed, mas os chás das lojas de produtos naturais dependem apenas da ASAE.”

Outra preocupação é que os médicos nem sempre estão alerta para o que os doentes tomam. Casos não faltam: o chá de hipericão anula os efeitos dos medicamentos anti-retrovirais (usados nos casos de sida); o de aloé vera, chamado o cacto dos aflitos, é eficaz para combater a prisão de ventre, mas pode causar problemas intestinais quando é usado mais de oito semanas; e o de hortelã-pimenta pode provocar espasmos nas crianças.

O chá é a segunda bebida mais consumida no mundo a seguir à água e Cristina Fonseca sublinha que “as plantas foram a primeira forma de medicina da humanidade”.

É certo que têm efeitos benéficos, mas também efeitos secundários. “Fico assustada com a facilidade com que alguns programas de televisão fazem a apologia da ‘medicina natural’.
"As plantas são drogas vegetais e podem fazer bem, mas não estão isentas de toxicidade”, conclui a especialista. 
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ALOÉ - IRRITA O INTESTINO


HIPERICÃO - ANULA O EFEITO DOS MEDICAMENTOS RETRO-VIRAIS




CHÁ VERDE- RISCO DE HEPATITE




HORTELÃ-PIMENTA- CAUSA ESPASMOS EM CRIANÇAS



CAMOMILA- DESACONSELHADO A GRÁVIDAS
 
14-07-2012 
Por Luís Silvestre
Fonte: SABADOPT
 
 

segunda-feira, 2 de julho de 2012

A longa história da cárie


A longa história da cárie
FERNANDO REINACH

Muita coisa melhorou na vida do Homo sapiens nos últimos 20 mil anos, mas uma piorou: a quantidade de cáries. É o que concluiu um grupo de dentistas, antropólogos e arqueólogos.

Saber se diabetes ou hipertensão eram frequentes na Idade da Pedra Lascada é praticamente impossível. Esqueletos, ruínas e artefatos são tudo de que dispomos para entender como era a vida dos nossos ancestrais.

Algumas vezes encontramos ossos quebrados e marcas de pancadas nos crânios, o que permite avaliar o nível de violência ou os acidentes do no dia a dia. Mas, talvez nunca venhamos a saber a incidência de doenças metabólicas ou a prevalência da obesidade.

Mas, se essa ignorância incomoda os médicos, os dentistas têm mais sorte. A quantidade de fósseis de crânios humanos é enorme. Muitos dedicam-se a verificar o estado dos dentes de nossos antepassados, correlacionando os seus achados com a época em que viveram, os seus hábitos alimentares e a idade de cada um.

Nossos parentes distantes, os macacos, dificilmente apresentam cáries durante a maior parte de sua vida. Elas e outras doenças dentárias só aparecem no final da vida e são sinal de envelhecimento.

O que sabemos dos dentes de nossos ancestrais mais antigos vem do exame de crânios de humanos que viveram antes do desenvolvimento da agricultura. Examinando mais de mil crânios dessa época, foi constatada pelo menos uma cárie em só 2% dos indivíduos. Eram coletores e caçadores, comiam raízes, frutos, sementes duras e um pouco de carne.

O estado dental começou a piorar há 13 mil anos, no Neolítico, quando surgiu a agricultura. Nessa amostra de crânios, 9% deles possuíam uma cárie. Nessa época o consumo de grãos moídos, ricos em carboidratos, começou a fazer parte da dieta humana. Muito depois, tanto no Egito (há 3,3 mil anos) quanto nos crânios de aborígenes australianos (há uns 70 anos), a quantidade de cáries era próxima a 2%, mas esses povos não haviam adotado completamente a dieta rica em grãos típica das civilizações que adotaram a agricultura.

Açúcar. Nas populações europeias, há até 4 mil anos, a quantidade de crânios com cáries era de 10%. Há cerca de 2,3 mil anos, Alexandre, o Grande, trouxe o açúcar à Grécia. A quantidade de cáries aumentou lá, em Roma e depois em toda a Europa durante a Idade Média. O mesmo ocorreu na Inglaterra, quando, após a conquista das Índias, os navios trouxeram grandes quantidades de açúcar. O imposto sobre o açúcar foi reduzido em 1874 e o consumo explodiu. A partir desse momento, mais de 90% dos crânios ingleses possuem múltiplas cáries em quase todos os dentes.

Nessa época a alta incidência de problemas dentários fez com que as pessoas passassem a limpar os dentes: surgiram escovas, pastas, dentistas. Essa nova tecnologia estancou a incidência de cáries, que estabilizou num nível alto (50% a 90% das pessoas com cáries) na Europa até meados do século 20. Em 1970, foi introduzido o flúor na água, o que melhorou um pouco a situação. Agora, no início do século 21, pela primeira vez a incidência está a aumentar novamente.

A introdução de carboidratos purificados (amido) e solúveis (açúcar) na nossa dieta é provavelmente o grande culpado pelas cáries. Esse estudo é um bom exemplo de como a evolução tecnológica da humanidade é muito mais rápida que a biológica.

A nossa espécie viveu por milhões de anos a comer raízes, frutas, grãos e carne. Sobreviveram os indivíduos com dentes que resistiam nesse ambiente, mesmo sem higiene bucal. Mas o homem descobriu a agricultura e, com ela, carboidratos fáceis e baratos. E começou a consumi-los, apesar de seus dentes não estarem adaptados. Os dentes passaram a apodrecer rapidamente, o que deveria ter pressionado a população a comer menos destes alimentos. Mas novas tecnologias, como a escova e a dentadura, livraram-nos da pressão seletiva, a força maior da evolução.

A lição é simples: qual a melhor dieta para o ser humano? 

Aquela para a qual fomos selecionados durante milhões de anos, a dos que viveram antes da descoberta da agricultura.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Será que chegou a hora de pararmos de chamar as pessoas de 'gordas'?




Vanessa Barford
BBC News Magazine
Para alguns, termos como 'obesidade' ou 'sobrepeso' estão carregados de preconceito
Um relatório sobre obesidade e corpo publicado recentemente por um membro do Parlamento britânico recomendou a adoção, na Grã-Bretanha, de uma linguagem neutra em relação a peso. Ou seja: palavras como "gordo" e até "obeso" deveriam ser eliminadas do vocabulário de profissionais de saúde, professores e a sociedade em geral, propõe o parlamentar.
Poucos discordariam de que chamar alguém de gordo é desagradável e ofensivo. Há quem diga também que o termo talvez não ajude se o objetivo é motivar o indivíduo a perder peso.
Mas será que abolir também termos como "obeso" e "acima do peso" não seria um pouco extremo?, rebatem alguns.
Os parlamentares envolvidos dizem que os termos têm impacto negativo sobre a imagem coletiva do corpo e a autoestima das pessoas. Eles sugerem que médicos substituam esse tipo de linguagem por discursos promovendo estilos de vida saudáveis e a saúde de maneira mais ampla.
A ideia é parte de um movimento mais amplo, que vem ganhando força há algum tempo em vários países.
Na sua raiz está uma noção de que a sociedade contemporânea teria adotado um conceito rígido e homogêneo de beleza baseado na magreza. E que haveria hoje um preconceito contra indivíduos que não se encaixam nesse padrão. Alguns usam até o termo fattism originado na palavra inglesa fat (gordo). Em tradução livre, "gordismo".
Ditadura da magreza
A ideia vem sendo debatida há algum tempo. Um estudo de janeiro da Universidade da Pensilvânia (EUA) considerou a palavra "obesidade" ofensiva, enquanto o Conselho da Cidade de Liverpool (Grã-Bretanha) debateu, em 2010, banir o termo em sua literatura destinada a crianças.
Mas nem todos concordam. Também em 2010, o Ministério inglês de Saúde Pública disse que os clínicos gerais deveriam deixar sua condição clara às pessoas obesas, na tentativa de motivá-las a perder peso.
Afinal, então, será que a terminologia ligada ao peso precisa ser repensada?
A médica Sarah Jarvis, apresentadora do programa de TV One Show, da BBC, diz que, em um contexto médico, as palavras "sobrepeso" e "obeso" são necessárias, principalmente porque elas simbolizam parâmetros do Índice de Massa Corporal (IMC).
"Não quero fazer com que as pessoas se sintam mal, e entendo que algumas possam ter problemas de autoestima, mas, no final das contas, como médico, se você é cauteloso demais, corre o risco de as pessoas não entenderem as implicações (de seu peso) à saúde", opina.
"O fato é que o IMC é o melhor indicador (da relação altura-peso) e, se você entra na categoria de obesidade, tem mais chances de morrer de uma condição relacionada a essa obesidade, como um mal cardíaco. E mesmo que seja acima do peso, tem mais chances de morrer cedo ou de desenvolver problemas de saúde."
Jarvis diz que, em algumas ocasiões, escolhe com cuidado o termo que vai usar. Por exemplo, ela nunca estimula as pessoas a fazer dieta - "já que 90% das pessoas que perdem peso em dietas tendem a recuperá-lo em um ano" -, mas sim a adotar um novo estilo de vida.
'Politicamente correto ao extremo'
Jarvis diz que nunca usaria a palavra "gordo" em sua prática médica, porque "traz associações a gozações de playgrounds", mas opina que banir o termo "acima do peso" é "levar o politicamente correto ao extremo da loucura".
"Entendo que é um equilíbrio delicado: de um lado, não queremos ser pejorativos ou maus; mas, ao mesmo tempo, o pêndulo não deve virar demais para o outro lado", afirma, citando que as sociedades modernas estão vendo a obesidade crescer e abranger uma parcela crescente de suas populações.
Nigel Mercer, presidente da Associação Britânica de Cirurgia Plástica Estética, concorda que, quando se trata de alguém seriamente acima do peso - ou seja, de uma questão médica -, "não tem como escapar da questão". Para ele, é preciso "usar a terminologia adequada para o uso adequado". Mas o dilema existe.
"Para uma sala de aula de aula infantil, é importante dizer que o sobrepeso leva à diabetes, mas é também uma questão psicológica. E crianças muitas vezes são cruéis", diz. Ao mesmo tempo, ele agrega, "sei que sou um cara grande, e não teria problemas em ouvir isso de um profissional da saúde. Mas seria diferente ouvir isso de alguém na rua".
O site Magazine da BBC já explorou o tema da discriminação relacionada à obesidade e ouviu da empresária Marsha Coupe, que pesava 139 kg, que ela acreditava que o "gordismo" estimulava ataques contra ela.
Para Susie Orbach, psicóloga e autora do livro Fat is a Feminist Issue (A gordura é um tema feminista, em tradução literal), o preconceito sofrido por pessoas como Coupe vem da ideia de que quem está acima do peso perdeu o autocontrole - algo que assusta a sociedade, já que há tanta pressão para se manter em forma.
Orbach também escreveu sobre o assunto no jornal Guardian, citando um novo estudo que ressalta a discriminação contra obesos no mercado de trabalho.
Ao mesmo tempo, Tara Parket-Pope, do New York Times, lembra que pesquisas sugerem que as pessoas nem sempre têm noção quando estão engordando, entrando em um estado de "negação" e muitas vezes subestimando os problemas que isso pode causar.+º



terça-feira, 12 de junho de 2012

Os danos do sol na nossa pele


Aqui está a prova viva dos danos do sol à saúde. 
A foto é de um homem não identificado, de 69 anos, que passou 28 anos como camionista e, portanto, sendo atingido por raios solares na parte esquerda da face através da janela enquanto conduzia. 
A diferença entre os dois lados do rosto dele é impressionante: na segunda metade, ele parece muito mais velho, o que mostra o efeito dramático e prematuro de envelhecimento que sol pode ter sobre a pele.
Cientistas da Universidade Northwestern, em Chicago, estudaram os prejuízos ao rosto do camionista. 
A condição - conhecida como dermatoheliosis unilateral ou fotoenvelhecimento - é causada por raios solares UVA e resulta em espessamento e enrugamento da pele.
Responsáveis ​​pelo efeito de bronzeamento causados pela coloração de pigmentos, os raios UVA são a forma mais comum de raios de luz, e aparecem também em câmaras de bronzeamento, que produzem doses 12 vezes mais forte do que a do sol. 
Ao contrário dos raios UVB, mais comummente associados ao cancro de pele e queimaduras solares, os raios UVA podem penetrar o vidro, como na janela do camionista, e estão presentes até mesmo em dias nublados.
Embora se acreditasse anteriormente que a luz UVA fosse relativamente mais segura em comparação à UVB - a exemplo de vários filtros solares que bloqueavam apenas os raios UVB -, a investigação recente do estudo universitário têm provado que o cancro de pele pode ser causado por ambos os tipos. 
Os cientistas Jennifer R.S. Gordon e Joaquin C. Brieva, da Universidade Northwestern, disseram que, devido aos danos extremos do camionista, ele precisaria de um acompanhamento regular para o câncer de pele.
A pesquisa destaca ainda o perigo das camas de bronzeamento e alerta os banhistas para o perigo da exposição solar sem proteção.

Fonte: Extra


quarta-feira, 30 de maio de 2012

Componente de protetor solar pode causar endometriose

Com os dias a ficarem cada vez mais quentes o que, consequentemente provoca uma maior vontade de frequentar  as praias, este pode ser um alerta a ter em conta para todas as mulheres.


Estrogênio sintético
Cientistas anunciaram uma possível ligação entre o uso de protetores solares que contenham um ingrediente que imita os efeitos do hormônio sexual feminino, o estrogênio, e um maior risco de endometriose.
A endometriose é uma condição dolorosa em que o tecido do útero cresce fora do útero.
A possível ligação está descrita em um artigo publicado por uma equipe da Universidade do Estado de Nova Iorque, coordenada por Kurunthachalam Kannan, na revista Environmental Science & Technology.
Benzofenona
Os cientistas explicam em seu artigo que alguns filtros solares, assim como alguns outros produtos para cuidados pessoais, contêm benzofenonas - um tipo de ingrediente muito eficaz no bloqueio dos raios ultravioleta do Sol.
Ocorre que pequenas quantidades de benzofenona podem passar através da pele e serem absorvidas pela corrente sanguínea, onde imitam os efeitos do estrogênio.

Componente de protetor solar pode causar endometriose
Alguns filtros solares, assim como alguns outros produtos para cuidados pessoais, contêm benzofenonas, ingredientes que imitam os efeitos do hormônio sexual feminino, o estrogênio. [Imagem: ACS]   

A endometriose, que afeta até 1 em cada 10 mulheres em idade reprodutiva, precisa de estrogênio para se desenvolver.
Apesar disso, esse parece ser o primeiro estudo a investigar uma conexão entre o uso de produtos para a pele com benzofenona e a probabilidade de acometimento pela endometriose.
Convite à especulação
Os cientistas analisaram os níveis de benzofenona na urina de 625 mulheres submetidas à cirurgia para endometriose.
Eles descobriram que altos níveis de uma benzofenona específica, chamada 2,4OH-BP, estão associados com um aumento no risco de diagnóstico da endometriose.
O estudo também constatou que as mulheres que vivem na Califórnia - um estado mais quente dos Estados Unidos, com muitas praias - tendem a ter níveis mais elevados de benzofenonas durante os meses de verão, sugerindo uma ligação com os filtros solares.
"Nossos resultados convidam à especulação de que a exposição a elevados níveis de 2,4OH-BP podem estar associados à endometriose", dizem os pesquisadores.

Redação do Diário da Saúde


segunda-feira, 28 de maio de 2012

Curiosidades sobre o nosso corpo

Web Image

1. Se você estiver com a garganta a doer, aperte o seu ouvido:
Pressionando os nervos do ouvido, ele vai gerar um reflexo imediato nos espasmos da garganta e alivia o desconforto

2. Para ouvir melhor utilize apenas um lado da orelha:
Se você está num clube e não ouvir bem o que as pessoas dizem, vire a cabeça e use apenas a orelha direita, uma vez que ela distingue melhor as conversações, enquanto a esquerda identifica músicas de som.

3. Para resistir à tentação de ir ao banheiro pense em sexo:
Quando não resistir à vontade de urinar e não tiver um banheiro por perto, pense em sexo. Isso vai entreter o seu cérebro e reduzirá o stresse.

4. Provoque tosses para reduzir a dor:
Um grupo de cientistas alemães descobriram que quando você espirra, aumenta a pressão no peito e coluna vertebral, inibindo, assim, dores na coluna.

5. Se você estiver com o nariz entupido:
Pressione o céu da boca e o nariz. Toque o céu da boca firmemente com um dedo, segurando o nariz abaixo das sobrancelhas. Isso permitirá que as secreções possam se mover e você volta a respirar.

6. Quando você tiver com azia, durma sobre seu lado esquerdo:
Isto cria um ângulo entre o estômago e do esófago, de modo que o ácido não pode passar para a garganta.

7. Quando um dente dói esfregue um cubo de gelo em sua mão:
Você deve passar um pedaço de gelo na área, em um "v" que tem entre o polegar e o dedo indicador contra a palma da mão. Isto reduz em 50% a dor, pois este setor está ligado aos receptores da dor da face.

8. Quando você se queimar, pressione o ferimento com um dedo:
Após a limpeza da área afectada, pressione com a mão sobre a queimadura, assim ela retornará a temperatura inicial e evitará bolhas. (Para pequenas queimaduras, apenas)

9. Quando você estiver bêbado:
Repouse a mão sobre uma mesa ou superfície estável. Se você fizer isso, seu cérebro vai recuperar o sentido de equilíbrio e evitará que tudo gire ao seu redor.

10. Ao correr, respire quando o pé esquerdo pisar o chão.
Isto irá prevenir sentimento de comichão no peito, porque se você respirar quando você coloca o pé direito, fará pressão no fígado.

11. Se sangrar o nariz, empurre com o dedo:
Se você deitar com o sangue escorrendo poderá se sufocar, por isso é melhor pressionar o dedo sobre o lado do nariz quando você tiver sangramento.

12. Para controlar o batimento cardíaco quando você está nervoso
Coloque o polegar na boca e assopre, isso irá ajudar seu coração parar de bater tão rápido a partir da respiração.

13. Para aliviar uma dor de cabeça quando você bebe água gelada:
Quando você beber algo congelado, resfria o paladar e o cérebro interpreta. Então você deve colocar a língua no céu da boca para retornar à temperatura normal.

14. Previna a falta de visão quando você está na frente do PC:
Quando você coloca seus olhos em um objeto próximo, como um computador, a vista fica cansada e não consegue ver bem. Por isso, feche os olhos, contraia o corpo e prenda a respiração por um momento. Então, relaxe. Remédio santo.

15. Desperte suas mãos e pés dormentes movendo a sua cabeça:
Quando você adormece, um braço ou uma mão, gire a cabeça de um lado para o outro e sentirás a dormência passar dentro de 1 minuto. Os membros superiores adormecem pela pressão sobre o pescoço. Igualmente para pernas e pés, leva alguns segundos.

16. Uma maneira fácil de prender a respiração debaixo d'água:
Antes de mergulhar, fazer respirações muito rápidas e fortes para fazer o sangue ácido desaparecer, pois isso é que causa a falta de ar.

17. Memorize textos à noite:
Tudo o que você ler antes de dormir, o mais fácil de lembrar ...
 
Recebi por mail sem autoria.


terça-feira, 15 de maio de 2012

Exercícios de alongamento

Para quem precisa de alguns exercícios de alongamento, estas imagens podem ajudar.










Bom exercício :-)


sexta-feira, 16 de março de 2012

Micróbios dominadores

Os micróbios que vivem no nosso corpo podem influenciar nosso comportamento 
Imagem da Web


Em 2010, nos "Annals of Epidemiology" (http://migre.me/8ftEa), li uma pesquisa que achei inquietante: ela confirmava uma dúvida que me assombrara por um bom tempo, a partir dos meus oito anos.
Com essa idade, aprendi que, mesmo sem estarmos doentes, somos habitados por bactérias, vírus, parasitas e fungos, que prosperam dentro de nosso organismo.

E me interroguei: esses micróbios, além de fazerem (eventualmente) com que a gente adoeça, não estariam dentro de nós como pilotos numa imensa espaçonave? Apesar de acreditarmos em nossa autonomia, quem sabe eles não estejam, de fato, no volante de nossa vida?

Justamente, os autores da pesquisa, Chris Reiber, J. Moore e outros, queriam saber se um vírus pode mandar em nós -não só alterar nosso humor, mas realmente influenciar nosso comportamento.
Eles descobriram que os infectados pelo vírus da gripe, durante o período da incubação (em que são contagiosos, mas não apresentam sintomas), tornam-se especialmente sociáveis. Em outras palavras, os infectados parecem agir no interesse do vírus, que é o de contagiar o máximo possível.

Claro, não é que os micróbios se sirvam da gente para levar a cabo um "plano" maquiavélico. Mas se entende, com Darwin, que um vírus que nos torne sociáveis durante a incubação só pode se dar bem na seleção natural, pois ele se espalhará facilmente. Ou seja, os micróbios mais eficientes seriam os que conseguem nos usar em seu interesse próprio, os que nos transformam em seus súcubos.
O que sobraria de nossa "autonomia" se todos os micróbios enquistados no nosso organismo influenciassem (silenciosamente) nossos pensamento e comportamento?

Kathleen McAuliffe, na "The Atlantic" de março (http://migre.me/8fwvb), conta a história de Jaroslav Flegr, um cientista que, há 20 anos, pretende que um parasita, o Toxoplasma gondii, manipule e transforme os que ele infecta.

O hospedeiro definitivo do Toxoplasma gondii é o gato, em cujo corpo o parasita se reproduz sexualmente. Seu hospedeiro intermediário típico é o rato, que se infecta ao ingerir o Toxoplasma (direta ou indiretamente) nas fezes do gato e, logo, ao ser comido por um felino, leva o parasita de volta para seu hospedeiro definitivo.

Agora, o Toxoplasma pode infectar qualquer mamífero, enquistando-se no tecido muscular e no cérebro. Nos humanos, ele é presente em 55% dos franceses (comedores de carne crua -claro, de boi infectado) e em 10 a 20% dos norte-americanos. Em tese, pouco importa, pois o Toxoplasma só seria perigoso na gravidez, quando produz malformações fetais. Mas será que esse é seu único efeito?

Há mais de uma década, descobriu-se que o Toxoplasma altera o comportamento dos ratos infectados, tornando-os atrevidos e fãs do cheiro da urina de gato (de que normalmente eles fugiriam). Ou seja, o Toxoplasma transforma o rato numa presa mais fácil para o gato, no estômago do qual o parasita quer acabar sua viagem.

Outra surpresa. Nos ratos (e só neles), o parasita pode ser transmitido por via sexual; ora, verifica-se que os ratos machos infectados são inexplicavelmente mais desejáveis aos olhos das fêmeas.
Um parasita capaz de influenciar o cérebro do rato, seu hospedeiro intermediário preferido, não teria efeito algum quando se instala no nosso cérebro?

Para começar, o Toxoplasma parece produzir em nós alguns efeitos parecidos com os que ele produz nos ratos: por exemplo, muitos humanos infectados passam a achar agradável o cheiro da urina de gato. Nada dramático: a gente é raramente comido por gatos (mas resta a pergunta: se você adora gatos, é porque gosta mesmo ou porque carrega o Toxoplasma gondii no seu cérebro?).

Há mais: a presença do Toxoplasma gondii no cérebro alavanca a produção de dopamina, um neurotransmissor cujo excesso é um dos fatores no conjunto de causas possíveis da esquizofrenia (http://migre.me/8fxYX).

Enfim, o fato é que estamos começando a descobrir que os micróbios aparentemente inócuos que vivem no nosso corpo podem influenciar nosso comportamento.
Não acredito que sejamos os títeres de germes, parasitas, fungos e vírus, mas, certamente, o ambiente que nos constitui e determina não é só o das interações com nossos semelhantes. É também o de interações misteriosas com seres que sequer enxergamos. Inquietante, hein?

ccalligari@uol.com.br
@ccalligaris

terça-feira, 13 de março de 2012

O que realmente nos está a tornar gordos?

A sabedoria convencional diz-nos que o ganho ou perda de peso está no modelo de “calorias para dentro, calorias para fora”, que geralmente se resume no refrão “coma menos, exercite-se mais”. Mas uma nova pesquisa revela que a equação é muito mais complexa do que parece, e vários outros fatores estão em jogo.

Pesquisadores de um campo relativamente novo estão a olhar para os químicos industriais e aspectos não calóricos das comidas que influenciam no ganho de peso. Os cientistas que estão a conduzir essa pesquisa acreditam que essas substâncias, presentes em muitas comidas, podem estar a alterar a maneira como os nossos corpos armazenam gordura e regulam o nosso metabolismo. Mas nem todos concordam. Muitos cientistas, nutricionistas e médicos acreditam no modelo do balanço energético.

Bruce Blumberg, professor de biologia na Universidade da Califórnia, estuda o efeito dos poluentes orgânicos que são altamente usados pela indústria dos agrotóxicos e nos sistemas de água. Os compostos organoestânicos “mudam a maneira como nosso corpo responde às calorias”, afirma ele. “Os que nós estudamos, o tributilestanho e o trifenilestanho, geram mais, e maiores, células de gordura nos animais expostos. Aqueles que tratamos com esses químicos não têm uma alimentação diferente do que aqueles que não engordam. Eles estão a comer comida comum, mas estão a ficar mais gordos”.

Um estudo muito comentado de Janeiro trouxe mais lenha para essa discussão: ele confirmaria a crença no modelo do balanço energético, e foi citado por muitos pesquisadores que trabalham no campo. Quando o autor do estudo, George Bray, foi questionado a respeito dos aditivos e ingredientes industriais na nossa comida, ele afirmou que “não faz diferença alguma. As calorias contam. Não há dados que comprovem o contrário”.

Os participantes do estudo de Bray receberam quantidade baixa, normal e alta de proteína, além de mil calorias a mais do que o necessário. O estudo não levou em conta o conteúdo e a forma das calorias, como foram processadas, ou quais aditivos ou químicos industriais estavam presentes.

Bray não acredita que aditivos ou a maneira como os alimentos são processados pode afetar o resultado do estudo. De fato, ele completou uma pesquisa em 2007, que ele se refere como “o estudo Big Mac”, com os participantes recebendo três refeições por dia, durante três dias, com um grupo comendo apenas itens como o Big Mac, e outro comendo apenas “comida caseira”. Bryan diz que o resultados não revelam nenhuma diferença: “Pelo menos nos quesitos como tolerância à glicose, insulina, e outros, não houve diferença. Agora, se você os alimentar por um período maior, é claro que a quantidade vai influenciar muito”.

Outro estudo, realizado pela Universidade de Princeton, indica que o tipo da caloria importa. Os pesquisadores descobriram que ratos que bebiam xarope de milho, com muita frutose, ganhavam mais peso do que aqueles que bebiam água com açúcar, mesmo que o número de calorias fosse o mesmo. Os primeiros animais também exibiram sinais de síndrome metabólica, como ganho de peso anormal, especialmente gordura visceral ao redor da barriga, e aumento significativo dos triglicérideos.

Miriam Bocarsly, autora principal do estudo, afirmou: “A questão das calorias para dentro, calorias para fora, é muito boa e muito debatida no campo. Mas nós temos este resultado que aconteceu com ratos. Algo é obviamente diferente entre o xarope e a água com açúcar, mas o que será?”.

Blumberg comenta que a frutose, por si só, já é um obesógeno. “A frutose cristalizada não existe na natureza, nós estamos a fabricar isso”, afirma. “A frutose não é comida. As pessoas pensam que ela vem da fruta, mas não. A que comemos é sintetizada. Sim, é derivada da comida. Mas cianeto também vem da comida. Você chamaria ele de comida?”.

O neuroendocrinologista Robert H. Lustig também acredita que a frutose é um elemento relacionado à obesidade. “Eu pessoalmente coloco a frutose nos obesógenos. Como a frutose engana o cérebro para que coma mais, ela possui propriedades consistentes para a obesidade”, diz.

Lustig é outro, entre os pesquisadores e médicos, que vê o modelo do balanço calórico como falso. “Eu não acredito nesse modelo, centralizado nas calorias”, comenta. “Acredito no do depósito de gordura, que é centrado na insulina. A razão é que, ao alterar a dinâmica da insulina, você pode mudar o consumo calórico e o comportamento relacionado às atividades físicas. Isso tem sido minha pesquisa pelos últimos 16 anos”, conta. A ideia de Lustig é que, ao aumentar a circulação de insulina – geralmente um resultado do consumo exagerado de frutose – as pessoas ficam mais esfomeadas e cansadas, o que resulta em excesso de alimentação e falta de motivação para se exercitar.

Outro possível elemento obesógeno é o bisfenol A (BPA), encontrado em muitos alimentos e materiais de embalagens. O professor Frederick S. vom Saal, da Universidade de Columbia/Missouri, tem estudado isso.

O Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC) divulgou que quase todos os americanos testados tinham BPA na urina, “o que indica que há grande exposição da população ao BPA”. Algumas marcas já se pronunciaram, e planeiam parar de usar o produto nas latas e embalagens dos alimentos.

Vom Saal acredita que o BPA é apenas o exemplo mais proeminente das várias substâncias presentes na nossa comida que podem deixar-nos obesos. “Se as pessoas realmente querem resolver a obesidade, diabetes, e doenças cardiovasculares, não é inteligente ignorar um contribuinte como esse. E nós não estamos obesos apenas por causa do BPA. Também sei que a nicotina e outros químicos influenciam na diabetes e nas doenças metabólicas”.

Se a teoria dos “obesógenos” for aceite, a indústria da comida estará com problemas. Seria difícil promover alimentos diet e “saudáveis” que podem ter menos calorias, mas contém uma série de substâncias que podem contribuir para o aumento de peso.

A ênfase que a indústria coloca nas escolhas pessoais põe o ônus no individuo, e deixa o consumidor com difíceis decisões para fazer sobre os produtos e aditivos industriais. E os produtos não vêm com essas substâncias listadas, já que não é obrigatório.

“As pessoas questionam-me o tempo todo: ‘O que eu faço?’”, comenta vom Saal. “E a resposta é, não há muito que fazer, porque a indústria não é obrigada a te contar sobre esses químicos. Como evitar algo que você não vê?”.


O modelo do balanço energético também coloca a responsabilidade no consumidor, porque a sabedoria convencional é de que as pessoas comem demais.

Será que podemos continuar essa discussão simplesmente em termos de calorias ingeridas? Ou olhar apenas para as categorias tradicionais, como gorduras, proteínas e carboidratos, e lacticínios, carnes, grãos e vegetais? Como há uma proliferação de poluentes industriais nos alimentos ultraprocessados, muitos especialistas acreditam que não.

[TheAtlantic]

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